sexta-feira, 30 de maio de 2008

Moonshadow

A hippie Sheila Fay Bernbaun, mais conhecida como “Sunflower”, foi convidada para ser abduzida por seres extraterrestes em forma de esferas chamadas G’L-Doses, com intuito de se relacionar com uma das criaturas poderosas e viver numa arca de Noé espacial.
Sunflower acaba dando a luz a Moonshadow.... Mais tarde..... com seu filho e seu assistente (um mostro arrogante, peludo e fumante chamado Ira) passam a vagar pelo espaço em busca de aventuras.

Sucesso do selo Epic Marvel, divisão da Marvel que funcionou como incubadora de trabalhos independentes. Moonshadow (1985) é uma obra maravilhosa. Possui uma história fantástica e um roteiro emocionante. O destaque, porém, fica para a ilustração aquarelada, pioneira nos quadrinhos e digna de exposição.

O pesar é que... sendo antiga e pouco conhecida no Brasil, é um quadrinho extremamente raro, sendo difícil de se encontrar até em sebos especializados ...

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Casa lembrada, Casa perdida

Ela tinha os olhos incrustados por lágrimas antigas que salinizaram o seu ver. Não importava mais estar sozinha, ela conseguiu se tolerar, mesmo com as contradições reveladas para si.

Sentada no sofá solteiro de sua sala, esperava com certa ansiedade a visita do sol, que cobria sua pele gasta com delicado torpor, permitindo-se ver refletida na televisão desligada e notar o presente de seu filho caminhar em sua direção.

O angorá por vezes lhe fazia uma visita interesseira, o desconforto do taco era maior do que as pernas ossudas de sua dona. O afago era bem vindo, mas era um lucro menor e sem perspectivas.

Sua vida estava no fim, não por especulação e sim por sentido. Todos os seus interesses estavam mortos e todos os seus deveres estavam feitos. Ela não estava insatisfeita e isto a entristecia. Pois há tempos não sentia o gosto suave e alcoólico da esperança.

Seu único filho estava longe, sua mulher e filhos falavam outra língua. Em seu aniversário, foi difícil entender a felicitação do neto, prejudicada pela má audição e pelo forte sotaque malaio.

Ela já sentiu saudades, hoje em dia percebe a indiferença erodir este sentimento. Só o amor continua guardado numa caixa de antiguidades ao sopé do coração, mas ele está bem trancado pelo rancor instintivo e não permite o cheiro mofado da nostalgia.

Às vezes se pergunta por que Deus não interrompe sua respiração, e não sabe de onde vem a covardia de morrer. Não que se importe, mas talvez por receio de sentir o desconforto que antecede o fim da linha. Torce para que ela chegue na hora dos sonhos e a deixe viver na casa de sua infância ao lado de seus irmãos mais velhos e de seus pais dedicados.

Eu vivi bem... contesta no saldo de sua vida. Amou e foi amada, só está um pouco chateada pela falta de convidados no velório, graças ao seu centenário adquirido. Já se perguntou várias vezes se esta foi uma troca justa. Gostaria de saber que pessoas chorariam em sua despedida. Sempre imaginou que não viveria tanto e por vezes viu seus irmãos enfrentarem os santos pelo custo de seu adeus. Ah que doce gosto esta dor lhe daria !!

“Bem, cá estou eu”, pensa num fim de tarde, e por fim se deixa debulhar em lágrimas pelo fim de sua obra ...

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A voz de Hamelin


Banda: Dave Matthews Band
Álbum: Crash

O sul africano Dave Matthews era um simpático barman do Miller’s (ponto de encontro de músicos de jazz na cidade de Charlottesville, situada no Estado americano de Virgínia) quando escreveu as letras deste álbum. Um conjunto de palavras que, compassadas a um coletivo de instrumentos executados em primazia e aliadas a sua voz precisa e aveludada, exerceu poder de conduzir milhões de fãs pelo mundo aos seus shows. A banda bateu recordes de rentabilidade em suas turnês, desbancando lendas vivas como o U2, Rolling Stones e Madonna.
Crash possui um acervo de raro frescor, que causam um estado transeunte de ânimo e prazer, por vezes lascivo e libidinoso.
Destaque para #41, Crash Into Me e Tripping Billies.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Efeito borboleta nos sonhos binários de Marx



Artista: Kate Nash
Álbum: Made of Bricks
Ano: 2007

Estamos numa época muito interessante. A utopia de Karl Marx é deslumbrada no mercado fonográfico.. Não existe mais barreiras para divulgação da arte .. Você só precisa de um violão e uma conta no myspace para fazer parte do jogo. Nada de guardas com headset na frente da boate dizendo quem deve ou não entrar... O lado ruim (para alguns) é que o volume de dados fúteis é descomunal, mas, a meu ver, isso torna tudo muito mais prazeroso para quem gosta de garimpar a procura de bandas excelentes que só meia dúzia de pessoas conhecem. Arctics Monkeys é um exemplo bem sucedido deste novo modelo e tudo indica que este será o único canal daqui pra frente.

Kate Nash pediu licença e deixou meia dúzia de músicas em sua humilde conta e bateu as asas de borboleta no caos da internet. Quem ouviu gostou e passou para frente. Um target definido naturalmente, sem calandrar o gosto alheio. Sua voz suave ditando letras bem humoradas sobre a vida a dois soa como doce no imaginário dietético. Foundation e Birds são músicas para se ouvir deitado no sofá degustando o ócio.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Sete Palmos


O que me motivou a comprar a primeira temporada de A sete Palmos (Six feet under) foi a curiosidade de verificar a idéia criativa de roteirizar a vida de uma família dona de uma casa funerária. Porém, intimamente, achei que o conteúdo deste produto seria efêmero, pois como seria possível suportar diversas temporadas com episódios tratando o aspecto da morte na vida das pessoas? Felizmente estava enganado.

Ao iniciar os primeiros episódios, o que me chamou muito atenção foi a entrada da série. A excelente música, remetendo um ar descontraído e formal ao mesmo tempo, combinada com uma fotografia espetacular indicando as etapas após a morte é uma obra de arte a parte e já indica o nível de meticulosidade com a qual a série foi criada.. É sem dúvida a melhor entrada que eu já vi, e quase nunca a pulei para ir direto ao início da história como faço geralmente com as outras séries.

E aí vem a história, iniciada pela morte do patriarca da família Fisher. A mãe se vê desmascarada pelo marido, por ter certeza de que ele saberá de sua traição no outro mundo, e os filhos perdidos tanto pelo aspecto da identidade como o do rumo que devem tomar em suas vidas.

Os personagens são complexos e tangíveis, formados por um elenco digno de Oscar. Cada um possui um foco. A narrativa é impecável, com boa dose de humor negro e drama. Assuntos como sexo e drogas são tratados com uma naturalidade crua e por vezes chocante (quando digo chocante, quero dizer que você vai ficar um pouco sem graça de ver ao lado da família de sua/seu namorada [o]), mas nunca desnecessária, apelativa ou exagerada para o contexto da história. O clima de final feliz nunca vem e mesmo assim é clara a mensagem de que a vida é uma dádiva.

Quando assisti o último episódio desta séria (formada por 5 temporadas), confesso que fiquei profundamente emocionado e triste. Passando dias sentindo um vazio por dentro, mas como dizem por aí.... a vida continua ...

Diamante lapidado por britadeira.

Banda: Bloc Party
Origem: Inglaterra
Disco: Silent Alarm
Integrantes: Kele Okereke - guitarra e voz; Russell Lissack – guitarra; Gordon Moakes - baixo e voz e Matt Tong - bateria.
Lançamento: 2005
O título “Silent Alarm” pode incitar uma interpretação de contrariedade, mas na verdade tende a definir o conceito da banda. A voz semi-sintetizada de Kele Okereke, que também é um ótimo guitarrista (nada de arranjos de base com ele – vide helicopter) em junção harmônica com mais uma guitarra “nervosa”, um baixo cooperativo e enfim, um baterista que está predestinado a ditar novas regras de compasso e a desafiar os axiomas da física no que se diz respeito ao comportamento das ondas sonoras, o Bloc Party é uma aposta certa para quem está querendo uma agitação introspectiva. Destaques para Banquet, Positive Tension, Like Eating Glass e So Here We Are.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Efeito Hawaianas


The killers é uma das poucas bandas que caem no gosto de todo mundo. Hot Fuss, álbum de estréia dos rapazes oriundos de Las Vegas, lançado em 2004, possui uma miríade de qualidades, que vão dos arranjos hipnóticos que viciam a letras divertidas, com refrões que não saem da sua cabeça.
Fica muito difícil citar as melhores músicas deste álbum. Mr. Brightside e Somebody Told Me são as de maior sucesso junto ao público. As que estou escutando com maior freqüência atualmente são Smile Like You Mean It, Change Your Mind e Believe Me Natalie.

Indie com suor brasileiro



Banda formada através de um anúncio de jornal posto pelo vocalista e compositor inglês Fyfe Dangerfield. O Guillemots conta com o guitarrista brasileiro MC Lord Magrão, a baixista canadence Aristazabal Hawkes e o bateirista escocês Greig Stewart. O primeiro single deles foi a belíssima Made Up Love Song #43 lançado pelo selo Fantastic Plastic, que os tornaram bastante conhecidos no cenário alternativo e instigaram a troca de tapas entre as grandes gravadoras pela conquista de um contrato. A vencedora foi a Polydor, que lançou em 2007 Through the Windowpane, contando com um repertório bem interessante e diversificado.

Queimando fotos numa tarde de solstício





Artista: Ryan Adams
Disco: Rock N Roll
Lançamento: 2004
Normalmente não se consegue dimensionar o verdadeiro grau de empatia de uma música quando a escuta pela primeira vez. Como se o cérebro precisasse de algum tempo para calibrar a dosagem de hormônios adequada para as emoções que podem ser geradas a partir de um arranjo, voz ou letra.
Não à toa, é comum você “achar” uma música de um álbum que você já escuta há um bom tempo, após escutar exaustivamente o hit causador da compra do seu CD (Desculpe-me os mais novos, mas eu ainda venero álbuns, apesar de não ter nada contra os P2P da vida, muito pelo contrário, eles são uma das poucas reações do capitalismo darwiniano que pesou a favor do povo e não da minoria abastada. Eu acredito e defendo os direitos autorais, mas a resposta à especulação e ao superfaturamento de majors e artistas foi bem elaborada).
Bem, voltando ao assunto da avaliação a longo prazo do que se escuta, gostaria de revelar um artista que de início não dei o valor merecido, mas que agora não sai no on-the–go do meu iPod.
O nome do cara é Ryan Adams. Eu havia comprado 2 cds dele há uns 4 ou 5 anos atrás (Demolition e Rock N Roll respectivamente). As primeiras músicas que escutei dele foram Nuclear e You Will Always Be The Same. As duas me conquistaram de imediato. Nesta época, eu estava na casa de praia da minha família passando férias e, por isso, escutei diversas vezes Ryan Adams sentado numa cadeira de praia em finais de tarde sentindo o clima fresco avançar após o calor rotineiro dos solstícios. A questão é que, por estar constantemente escutando coisas novas, ocasionou de Ryan Adams preceder uma enxurrada de novas e excelentes músicas, acarretada por um período fértil na indústria fonográfica (definido por mim como El niño fonográfico).
Após comprar meu iPod (sem dúvida a melhor compra do ano) passei a alimentar meu tamagoshi musical com minha coleção discográfica e reencontrei Ryan Adams escondido ao lado dos meus cds do Radiohead. No vício de encher o meu eletrônico de estimação com o maior número de músicas possíveis (tal como os escrotos produtores do patê foie grass ). Eu adicionei o cara no meu set list e desde então o tenho encontrado no modo shuffle, passando, como disse anteriormente, a posto de on-the-go hoje em dia.
Burning Photographs é irresistível, dá vontade de escutar toda hora. Anybody Wanna Take Me Home é uma música tão sincera que dá vontade de chorar. Merecem destaque This is It, So alive e Luminol.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

O cornetto japonês....


Há um bom tempo venho reunindo coragem para comer um temaki de almoço... eu tinha certeza de que iria gostar já que sou um velho fã da comida japonesa e o temake nada mais é do que um sushisão em formato de cone.. meu medo era o custo benefício.. pois iria desembolsar 8 reais em algo que provavelmente não fosse me satisfazer.. Como no horário de almoço eu estou sempre faminto.. foi difícil definir uma data de estréia..

Esta semana não sei porque (bem sei.. mas isso é outro assunto) passei os dias sem o apetite voraz que faz parte do meu ser.. e, por obra do destino, meu fiel amigo Cleiton (que no apetite me faz parecer uma anoréxica bulímica ) milagrosamente também não estava com muita fome ( por motivos distintos ao meu .. mas que também não vem ao caso).. Na dúvida de que roteiro culinário seguir.. resolvemos experimentar o temaki no Koni Express do centro.. situado a 200 passos do escritório.. Como sempre saio para almoçar às 11:30 .. fica fácil achar lugares vazios para comer .. e lá não foi diferente.. Apesar de pequeno, o lugar é de muito bom gosto e aconchegante .. rola uma musiqueta de fundo (alternando do jazz para blues ) e o ambiente é refrigerado mesmo sendo aberto na entrada.. O cardápio de acrílico é muito original.. poderia ser um pouco mais largo e menos comprido .. mas isso são detalhes insignificantes de um cara metódico como eu..

O meu primeiro temaki foi Tempura de Camarão.. como eu já havia previsto . eu adorei.. mas mais na curiosidade de experimentar coisas novas do que insatisfeito.. pedi mais um temake combinado chamado Roast Tuna .. delicioso.. isso tudo acompanhado de uma garrafinha de suco de laranja sem conservantes muito bom..

Em suma.. Já é a quarta vez nesta semana que eu e meu amigo visitamos o Koni Express.. Experimentei 5 sabores, sendo que um deles foi doce.. o de morango com Nutella (muito bom.. mas pelo preço poderia comprar uma sobremesa melhor ).
e não tenho passado fome de tarde...

O livro das ilusões



Editora: Companhia das Letras
Ano: 2002
Edição: 1
Número de páginas: 320
Acabamento: Brochura
Formato: Médio
David Zimer, personagem principal do livro, é um professor que sofre a perda de toda sua família num acidente de avião. Prostrado em sua desgraça e sem perspectivas, passa seus dias enchendo a cara e em estado catatônico sentado no sofá.
Sua vida começa a mudar quando, vendo TV, se depara com Hector Mann, um comediante com pinta de galã de um antigo filme mudo, fazendo-o sorrir pela primeira vez desde a perda de sua mulher e filhos.
Admirado pelo trabalho de Hector, David sai em busca de sua obra e descobre que este ator sumiu misteriosamente em plena ascensão profissional. Dedicado a criar uma biografia sua, David enxerga nesta idéia a chance de recomeçar sua vida.
Após a conclusão de sua obra David recebe uma ligação de uma misteriosa mulher dizendo que Hector Mann está vivo e quer conhecê-lo.
Paul Auster desenvolve no livro das ilusões uma narrativa envolvente e prazerosa para se ler sem escalas.

Metrópole


Pereço em sua borda §,
Onipresente e imortal
Fria e [calculada]...

O Innuendo de Burton

Peixe grande é um concerto poético sobre a fronteira da ficção com a realidade..
Ed Bloom transcreve sua vida em narrativas fantasiosas e surreais. A natureza de suas histórias se dá pela forma com o qual ele enxerga a realidade, conferindo numa vida fantástica artifícios que a torna inacreditável.
Will, filho de Ed, tem uma relação concisa e distante com o pai por conhecê-lo apenas sobre este ponto de vista, considerando suas histórias imaturas e despropositadas.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Geléia de pérolas para uma dieta grunge


Ao montar este blog, meu primeiro impulso foi fazer uma postagem sobre o Pearl Jam, o que me fez mudar de idéia foi o receio de dissertar sobre algo que venerava. O motivo desta admiração incondicional se dá pelo sincronismo de minha puberdade ao nascimento desta banda.

A começar com a voz amadeirada e gretada de Eddie Vedder, que além do mais foi uma das melhores presenças de palco existentes na década de 90, ritmada com o arranjo propulsor das guitarras eruditas de Mike McCready e Stone Gossard, do baixo pulsatório de Jeff Ament e a bateria hora circunspecta, hora primitiva, de Jack Irons e Matt Cameron, embevecidas com letras informais e sinceras, o Pearl Jam foi o marco do movimento grunge eclodido em Seattle e é uma influência para mim quando pego meu violão e penso em compor algo.

Vale a pena escutar todos os álbuns. Meu preferido é o Vitalogy, mas ele ganha por pouco do Vs. e do No Code.

Segue abaixo minha lista top 10:
1 – Whipping
2 – Corduroy
2 – Rearviewmirror
3 – Footsteps
4 - State Of Love And Trust
5 – Habit
6 – Go
7 – Last Exit
8 – Immortality
9 – Off He Goes
10 – Around the Bend

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Para ver 30 vezes...


O diretor Cameron Crowe aos 16 anos de idade iniciou sua carreira escrevendo para a Rolling Stone sobre as principais bandas dos anos 70. Chegou a viajar em turnê com os integrantes do The Who e Led Zeppelin. O que qualquer um lendo este artigo agora provavelmente vai pensar: “porra, esse cara tem boas histórias para contar” .. dito e feito. Quase Famosos (Almost Famous, 2000) é um retrato belo, fidedigno e bem enquadrado do cenário musical daquele tempo.

Seria o homem uma ilha.?

Baseado no livro de Nick Hornby, tanto o filme quanto o livro são recomendados.

Hugh Grant é Will Freeman, um bon vivant de trinta e poucos anos que se sustenta dos direitos autorais de um hit natalino composto pelo pai. Sem trabalhar, passa os seus dias alimentando seus hobbies e mimos.

Através de um relacionamento bem sucedido com uma mulher divorciada, ele inventa ter um filho para fazer parte de um grupo de reunião de pais solteiros com intuito de conhecer mais mulheres divorciadas. Neste ponto que entra em cena Marcus, um garoto com problemas de aceitação social no colégio e que sofre com os problemas de sua mãe, uma hippie com tendências suicidas, que acaba se tornando amigo de will na esperança de torná-lo namorado da mãe.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Seguindo o Bushido



Autor: Eiji Yoshikawa
Editora: Estação Liberdade
Ano: 1999
Número de páginas: 921
Este é um romance épico baseado na história do samurai Miyamoto Musashi (1584-1645). Apesar das suas quase 2 mil páginas divididas em 2 volumes, a obra é dissertada de forma inebriante por Yoshikawa e tende ao gostinho de quero mais no final.
Considerado um herói pelo povo japonês. Musashi é admirado pela total devoção ao bushido (doutrina influenciada pelo Budismo, Xintoísmo e Confucionismo que formam o código de honra do guerreiro samurai) e pela sua habilidade e força descomunais (ele tinha mais de 1,80 m de altura, bem acima da média para os padrões daquela época ).
Além de ter sido um duelista imbatível (Criou o estilo de esgrima com duas espadas - Niten-Ichi), Musashi também se dedicou a outras artes, como a caligrafia e a escultura, e chegou a escrever livros sobre esgrima e estratégia. Seu tratado mais conhecido é o Gorin No Sho - Livro dos Cinco Elementos (Utilizado por muitos executivos hoje em dia para práticas de mercado)
Não faltaram a Musashi oportunidades para que ele mostrasse a sua habilidade no manejo da espada. Em honrados duelos, sua espada matou cerca de 60 homens.Entre os seus mais impressionantes feitos, está o famoso "Episódio do Pinheiro", em que Musashi derrotou, sozinho, toda a academia Yoshioka de artes marciais, muito famosa na época. Em uma mesma madrugada Musashi aniquilou mais de trinta discípulos do clã e depois fugiu para poder sobreviver. Essa foi a primeira vez em que utilizou as suas duas espadas simultaneamente.
Também é lendário o episódio em que ele venceu o seu mais importante adversário: Sasaki Kojiro, um samurai muito aclamado. Kojiro era conhecido por sua afiada arrogância, sua habilidade nata e a sua peculiar espada de lâmina reta, que tinha aproximadamente 1 metro de comprimento, apelidada por ele de "Varal". O duelo se realizou na Ilha de Funashima, e atraiu uma grande multidão para o local, apesar da proibição oficial da presença de mais ninguém além dos duelantes e testemunhas.

A comida típica que alimenta o ego do gênero




Lemonheads
Disco: The best of the lemonheads
Integrantes: Evan Dando (guitarra, vocal); Bill Gibson (baixo); Murph (bateria); Jesse Peretz (baixo); Ben Deily (guitarra, vocal); Juliana Hatfield (baixo, backing vocal); Nic Dalton (baixo) e David Ryan (bateria).
Lançamento: 1998
Gravadora: The Atlantic Years

O Lemonheads é uma banda “feijão com arroz”. Pois possui uma composição básica de instrumentos e arranjos para compor um bom rock alternativo. Porém é errôneo interpretar tal metáfora como algo incompleto ou incapacitado de perfeição. O feijão com arroz do lemonheads possui um tempero único, com doses precisas de graça e melancolia sobre a batuta (ou melhor, guitarra) de Evan Dando (cérebro e coração do Lemonheads – sendo o único componente fixo ao longo de diversas formações).
Apesar de ótimas composições, o sucesso só bateu a porta com o cover “Luka” de Suzane Vega. Fazendo com que eles migrassem do selo independente Taang! para a major Atlantic Records no quarto álbum.
Mesmo com todos os percalços, o Lemonheads foi capaz de criar um repertório vasto distribuído em 7 álbuns no período de 1989 a 1996. Tendo o seu fim anunciado em 1997.
O CD The best of the lemonheads possui um bom resumo de sua obra, a única música que faltou ao meu ver para a obra ficar completa foi bit part do álbum it’s shame about ray.

Faixas de destaque:

Rudderless – Melancolia expressa em riffs de guitarra
Into your arms – Música de maior sucesso, muito bonitinha
Hospital – Se escutar, ela vai ficar o dia inteiro na sua cabeça
It’s all true – O pretinho básico do CD

O yin e yang de um hit, a equação de uma supernova.



Blind Melon
Disco: Vs.
Integrantes: Shannon Hoon – Vocal ; Glen Graham – Bateria ; Brad Smith – Baixo ; Christopher Thorn e Rogers Stevens – Guitarras.
Lançamento: 1992
Gravadora: Capitol Records



Algumas bandas podem ser comparadas a uma supernova, ou seja, a um intenso e breve brilho que caracteriza a extinção de uma estrela.O Blind Melon pode, sem dúvida, ser considerado um exemplo perfeito disto. Porém, assim como na astronomia, este fenômeno não foi observado por todos os amantes do assunto com a devida importância. Motivos plausíveis existem, já que o “céu” no mercado fonográfico no início dos anos 90 estava repleto de constelações para serem observadas (Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, Stonet Temple Pilots, Alice in Chains, e por aí vai..). Outro fator que auxiliou na ofuscação desta supernova foi o plano de marketing adotado pela industria de entretenimento americana para a divulgação (ou a falta dele) do BM, que estava sendo tratada como uma banda de um hit só.
“No rain” foi o único trabalho divulgado exaustivamente pela mídia, tanto que o famoso clipe da “abelhinha” foi um dos mais veiculados pela MTV em 1993. Esta música atingiu, quase sem escalas, o terceiro lugar na Bilboard e eles alcançaram a marca respeitável de 2 milhões de discos vendidos em poucos meses. Porém, garanto que boa parte das pessoas que compraram este álbum na época, não garimparam todas as faixas disponíveis ao encontro de outras pedras preciosas.
Se não fosse pela morte do vocalista Shannom Hoon em 1995, aos 28 anos de idade, por overdose, acredito que seria difícil conciliar o estigma de “no rain” com a apresentação dos novos trabalhos e manter o sucesso alcançado (fato assistido pela recepção fria de “soup”, o segundo cd que, por pouco, não foi póstumo). A banda ainda existe, mas hoje em dia eu não a reconheço mais.
O disco vs. do blind melon é uma obra rara de arranjos complexos e criativos, apesar de ser rotulada apenas como uma banda de rock. Algumas faixas misturaram de forma bastante homogênea e competente com o blues & o country. E graças à energia emanada por uma equipe de instrumentistas apaixonados, tornaram algumas faixas deste disco dignas de louvor.

Faixas de destaque:

Deserted – A melhor música do CD, arrepio certo.
Sleephouse – Descomprometida e hipnótica.
No Rain – Bem, apesar de tudo, no rain é no rain.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

E assim disse Saramago a Zaratustra

Ela disse que tinha problemas mas era para eu não me preocupar pois estava rumo a cura de suas aflições desde que não parasse sua rotina de análise e caso com sorte fosse receitado algum remédio para se manter ingrata e bípede Me reconheci nela mesmo com tanta distinção Me familiarizei com sua postura e decidi imergir em seu cenário Gosto de visitar o mundo dos outros Ainda mais quando este mundo combina com o meu Tal como uma antítese clichê de uma música escrita por mim a tempos atrás wear your old shoes and walk on new ways
Concordo que visitei o seu mundo despreparado pois não havia levado roupas de frio e o tempo por lá muda constantemente Mas não me preocupei pois sabia que quando cruzasse os braços de frio ela acenderia o sol para me aquecer O problema é que eu queria me bronzear e ela não deixou

As vezes ela pensa que o mundo conspira
As vezes ela pensa que o destino é uma ciência exata
Uma coisa é certa Ela sempre pensa